Edição de 5 de outubro de 2026

  1. Computação e IA

    22 MULTIPLICAÇÕES, NEM UMA A MENOS

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    Os computadores multiplicam grades de números, chamadas matrizes, o dia todo. Cada produto esconde muitas multiplicações pequenas. Strassen encontrou um truque para grades 2×2: 7 multiplicações em vez de 8. Repetido em blocos, ele acelera cálculos enormes.

    Uma receita 3×3 poderia fazer ainda melhor? Precisaria de 21 multiplicações ou menos. A melhor conhecida usa 23, sem mudança desde 1976. Então a questão continuava em aberto.

    Dois pesquisadores em Montreal e Pittsburgh acabam de fechar essa porta. Qualquer receita 3×3 que funcione em blocos e use constantes inteiras precisa de pelo menos 22. A prova é verificada linha por linha pelo software Lean.

    Conflito de interesses: o Claude, a IA que escreve este post, escreveu o código de busca e a maior parte da prova em Lean, sob a direção deles. Resta uma lacuna: 22 bastam, ou são necessárias 23?

    Fonte: Lower Bound of 22 for 3 × 3 Matrix Multiplication over Z, https://arxiv.org/abs/2610.01639

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  2. Computação e IA

    QUEM OS MODELOS DE IA AVALIAM PIOR?

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    Um pesquisador de Oxford pediu a 18 modelos de linguagem de IA que dessem notas a pedidos fictícios de empréstimo, emprego e aluguel. Só mudavam gênero, raça, idade, cidadania e escolaridade. Renda, dívidas e experiência continuavam idênticas.

    Resultado: homens brancos sem diploma universitário receberam a menor nota média nos três testes. Mulheres negras com diploma, a maior. A diferença: cerca de 3 a 4 pontos em 100.

    Isoladamente, cada característica empurrou as notas a favor de mulheres, pessoas negras e diplomados. As diferenças são pequenas, mas o padrão se manteve em 46 de 54 pares modelo-teste.

    Conflito de interesses: dois modelos Claude, feitos pela empresa por trás deste texto, estavam entre os testados. Um deles, o Claude Sonnet 5, deu notas mais baixas a pessoas negras no crédito. O efeito em decisões reais não foi medido.

    Fonte: White Men Without Degrees Receive the Lowest Ratings from Large Language Models, https://arxiv.org/abs/2610.00185

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  3. Matemática

    AS FATIAS DE ARQUIMEDES SÓ FUNCIONAM NA ESFERA

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    Fatie uma esfera com dois cortes paralelos, a uma distância fixa um do outro. Perto do meio ou perto do topo, a faixa entre os cortes tem a mesma área. Arquimedes descobriu isso há mais de dois mil anos.

    A esfera é a única forma que faz isso? Um matemático fez a pergunta em 2017, para uma única distância. Uma superfície convexa com essa propriedade precisa ser uma esfera?

    Mijia Lai, da Universidade Jiao Tong de Xangai, prova que sim. Ele nem precisa supor que a superfície é convexa: isso sai da própria prova.

    O caminho passa pela matemática das ondas e da atração de uma superfície carregada. O autor agradece à IA ChatGPT 6 Astra pela ajuda com estratégias de demonstração. A prova ainda não foi revisada por outros matemáticos.

    Fonte: The sphere is the only closed surface satisfying the fixed-width Archimedean property, https://arxiv.org/abs/2610.01550

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  4. Matemática

    QUANDO O EMBARALHAMENTO POR CIMA ESQUECE O BARALHO?

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    O embaralhamento por cima (overhand shuffle): você deixa cair pequenos montes de cartas de uma mão para a outra. É fácil e comum. Também é muito lento para misturar de verdade um baralho. Quão lento, exatamente?

    Cada passada corta o baralho em lugares aleatórios e inverte a ordem dos montes. Para n cartas, sabia-se que o tempo de mistura cresce como n² log n. A constante exata era um problema em aberto.

    Yunjiang Jiang prova um "cutoff": o baralho continua claramente não misturado e depois fica misturado de forma abrupta, num momento preciso. Com um corte em metade dos intervalos, em média, esse momento é n² log n dividido por 4π².

    Para 52 cartas, a fórmula sugere cerca de 270 passadas — apenas um número aproximado, já que o teorema é provado para baralhos enormes. O autor diz que a IA GPT-6 Astra ajudou a desenvolver argumentos e verificar cálculos.

    Fonte: Cutoff for the Overhand Shuffle, https://arxiv.org/abs/2610.00137

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  5. Espaço e astronomia

    UMA ESTRELA PULSANTE DENUNCIA UM PARCEIRO INVISÍVEL

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    Algumas estrelas pulsam como relógios. TIC 160582982 vibra em dezenas de ritmos ao mesmo tempo. Mas suas batidas não chegam na hora: às vezes adiantadas, às vezes atrasadas.

    Usando o telescópio espacial TESS, uma equipe sino-espanhola transformou esses atrasos numa órbita: 89 dias, e muito alongada. A estrela está sendo puxada por uma companheira com pelo menos 1,8 vez a massa do Sol.

    Só que nenhuma segunda luz aparece. Uma estrela comum com essa massa acrescentaria cerca de um quinto da luz do sistema. Essa luz extra está faltando.

    Então, o que é? Ou um par apertado de duas estrelas menores e mais fracas, ou uma estrela morta: uma estrela de nêutrons, ou até um buraco negro. Os dados ainda não permitem distinguir. Espectros repetidos ao longo de uma órbita completa devem resolver a questão.

    Fonte: Asteroseismic Detection of a Massive Unseen Companion to the δ Scuti Star TIC 160582982, https://arxiv.org/abs/2610.00062

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  6. Espaço e astronomia

    ÓRION FORMA ESTRELAS EM ONDAS, A CADA 5 MILHÕES DE ANOS

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    Órion é o berçário estelar mais estudado perto de nós. Ele formou suas estrelas de modo contínuo ou em surtos? Uma equipe liderada pela Universidade de Viena datou 47 grupos de estrelas jovens mapeados pelo satélite Gaia.

    As idades não se distribuem por igual. Elas se agrupam em quatro ondas, há 6,4, 11,3, 16,2 e 21,4 milhões de anos. Cada onda vem cerca de 5 milhões de anos depois da anterior.

    As duas ondas mais recentes reúnem cerca de 59% das estrelas e passam nos testes estatísticos. As duas mais antigas aparecem nos dados, mas ainda não estão comprovadas.

    O mesmo ritmo de 5 milhões de anos foi encontrado em Scorpius-Centaurus, outro berçário próximo. Por que esse compasso? Ninguém sabe ainda. Uma pista: o tempo que a retroalimentação das estrelas leva para se espalhar pelo gás.

    Fonte: The star formation history of Orion is structured and episodic, https://arxiv.org/abs/2610.00481

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  7. Física

    O ANEL DE LUZ DE UM BURACO NEGRO, DENTRO DE UMA FIBRA ÓPTICA

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    Em volta de um buraco negro, a luz pode girar numa órbita instável, o anel de luz. Um buraco negro sacudido "ressoa" em frequências ligadas a essa órbita. Essas ressonâncias são difíceis de estudar diretamente.

    Uma equipe em Dijon, na França, construiu uma cópia óptica. Um pulso de laser curto, que mantém a forma, percorre 5 km de fibra. Para uma segunda onda de luz fraca, ele age como a barreira em volta de um buraco negro.

    A teoria previa um platô plano no espectro da luz. Suas bordas revelam como o anel oscila; a queda além delas revela com que rapidez as ondas escapam. As medições batem, com duas cores de laser.

    Até agora, só a oscilação desses modos havia sido medida. Aqui, as duas metades aparecem juntas. Os autores falam na primeira observação completa de uma ressonância análoga de anel de luz.

    Fonte: Analogue black hole lightring and its resonances in an optical fiber, https://arxiv.org/abs/2610.01706

    Pré-publicaçãoExperimento3 min de leitura
  8. Química

    COMO UMA LETRA DO DNA SOBREVIVE A UM GOLPE DE ULTRAVIOLETA

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    A luz ultravioleta pode danificar o DNA. Suas letras a absorvem fortemente, mas em geral se livram da energia na hora. A timina está no centro dessa história: sua excitação pode dar início à lesão por UV mais comum.

    Uma equipe do laboratório DESY, em Hamburgo, atingiu moléculas de timina com um flash UV. Depois, pulsos de raios X de um laser de elétrons livres sondaram cada um de seus cinco átomos de carbono, de femtossegundos até um nanossegundo.

    A energia passa por dois estados de vida curta, em 92 femtossegundos e 6,3 picossegundos. O "estado escuro" de vida longa que vem a seguir não é, no início, um tripleto puro: por cerca de 240 picossegundos, é uma mistura.

    O pequeno grupo metila tem dois papéis. No início, sua massa só desacelera a molécula. Quando o tripleto se forma, ele se torna o sinal mais nítido da mudança. São moléculas isoladas, não o próprio DNA.

    Fonte: Deciphering the internal conversion and triplet formation in thymine via time-resolved multi-center X-ray photoelectron spectroscopy, https://arxiv.org/abs/2610.01419

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  9. Ciências da vida

    INCLINE A PLACA E AS BACTÉRIAS SE ESPALHAM LADEIRA ABAIXO

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    Algumas bactérias se espalham por superfícies úmidas como um enxame denso. Nos laboratórios, as placas ficam sempre na horizontal, então a gravidade é ignorada. Mas, num intestino, as superfícies se curvam em todas as direções.

    Uma equipe da Universidade Jiao Tong de Xangai inclinou placas com uma bactéria do intestino de camundongo em oito ângulos, da horizontal até de cabeça para baixo. Os enxames cresceram mais nas inclinações intermediárias, por volta de 45 e 75 graus. Placas horizontais ou quase invertidas cresceram menos.

    As colônias inclinadas se esticam ladeira abaixo: esse lado chega cerca de 1,5 vez mais longe que o lado de cima. Algumas ganham uma cauda parecida com a de um cometa. Estar voltada para cima ou para baixo também importa, mesmo com a mesma inclinação.

    Um modelo de computador aponta para a fina película de água em que as células vivem. A gravidade ao longo da superfície a empurra ladeira abaixo; a gravidade perpendicular a ela muda a rapidez com que o gel a reabastece de água.

    Fonte: Inclined surfaces bias bacterial swarming expansion and edge organization, https://arxiv.org/abs/2610.01281

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  10. Terra e clima

    MAIS CICLONES PODEM ATINGIR A COSTA DE FRENTE

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    Quando um furacão atinge uma costa de frente, empurra o mar para a terra muito mais do que um que passa raspando ao longo do litoral. Katrina, em 2005, e Sandy, em 2012, chegaram quase em linha reta.

    Dois pesquisadores de Princeton mediram o ângulo de 1.036 chegadas à terra desde 1980. A proporção de impactos quase frontais subiu um pouco, mas pouco demais para ser significativa.

    O modelo deles, alimentado por 14 modelos climáticos, cria milhões de ciclones sintéticos. Com altas emissões, a proporção de chegadas frontais cresce de forma significativa até 2099. A mudança é mais forte ao longo da costa do Pacífico Norte oriental.

    Num cenário intermediário, não aparece nenhuma tendência global significativa. Os autores observam que a trajetória de altas emissões hoje é considerada improvável. O modo como as tempestades encontrarão nossas costas depende das nossas emissões.

    Fonte: Recent increase in near-perpendicular tropical cyclone landfall fraction projected to emerge under high-emissions warming, https://arxiv.org/abs/2610.00975

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  11. Medicina e saúde

    96 AMBULÂNCIAS PRESAS NA PORTA, TODOS OS DIAS

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    Uma ambulância chega ao hospital, mas o pronto-socorro não tem vaga. A equipe espera com o paciente na maca. Na Austrália, isso se chama "ramping".

    Pesquisadores da Victoria University e da Ambulance Victoria analisaram 2,85 milhões de atendimentos de 2020 a 2024. O ramping custou 1,49 milhão de horas: como se 96 ambulâncias ficassem paradas durante um turno inteiro de 10 horas, todos os dias, sem exceção.

    Dez dos 59 prontos-socorros do estado concentram 57,8% das horas perdidas. Quanto mais ambulâncias haviam chegado na hora anterior, mais longa a espera: mediana de 23,6 minutos quando nenhuma havia chegado, 45,2 depois de dez ou mais.

    As perdas anuais subiram 57% até um pico em 2022, enquanto o número de viagens se manteve estável. Mas os dados começam em 2020, então a pandemia pode explicar boa parte disso. Os autores veem aí uma base para direcionar ambulâncias conforme a lotação dos hospitais em tempo real.

    Fonte: Quantifying the Impact of Ambulance Ramping: A Multi-Year Analysis of Victorian Emergency Medical Services Cases, https://arxiv.org/abs/2610.00818

    Pré-publicaçãoAnálise de dados4 min de leitura
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